Achei que seria bom para meu eu do futuro ter um lugar onde relembrei os melhores que consumi em cada mês. Seja filme, jogo, livro, série, documentário, anime… Não é uma lista exaustiva de tudo, afinal, tem coisa que não acho que merece figurar por aqui.
Se alguém tiver interesse, pode até ver isso como uma lista de indicações. Em algum nível, é isso mesmo. Até por isso, vou tentar evitar lugares comuns. Você não precisa que eu diga que o filme que venceu o Oscar merece ser visto.
Ah, falando em indicações, amo elas. Se tiver qualquer coisa que consumiu no mês e queira me indicar, não só sinta-se à vontade, mas também sinta-se incentivado a isso, por favor. Vale tudo.
FILMES
Durval Discos
Num domingo de muito sol, fui à praça aqui do lado com minha namorada para tomar sorvete. Durante, demos voltas por lá e passamos em frente ao cinema de rua. Em 20 minutos, ia começar uma seção de Durval Discos. Todas as seções lá são de graça e pensamos: “por que não?”. Já tinha ouvido falar desse filme nacional, mas não sabia nada sobre. Entramos às escuras, literal e figuradamente.
Conto isso porque acho essa uma ótima forma de experimentar esse filme. Sem saber nada. O máximo que vou dizer é que parece uma coisa meio Irmãos Coen, uma hora você ri, noutra fica chocado, mas nunca deixa de ficar na ponta da cadeira.
Se não se aguentar, pode procurar uma sinopse antes. Garanto que ainda vai ter surpresas. Porque a história contada é tão dinâmica que não é exagero meu dizer que, a partir do segundo ato, o filme muda completamente sua direção a cada 10 minutos.
JOGOS
Cairn
Furi é um dos meus jogos favoritos. Consiste basicamente em 10 lutas contra chefões e só. Tem uma caminhada entre um e outro, mas é literalmente andar para frente. O jogo é simples, tem botão de ataque, desvio, tiro e defesa, que pode ser usado para contra-ataque. Eu gosto dessa simplicidade, algo que se constrói basicamente retirando tudo aquilo que não faz sentido e deixando o essencial.
Cairn é um novo jogo do mesmo estúdio que fez Furi. Então, desde o anúncio, sabia que era uma questão de tempo até eu jogar. E a lógica se mantém. O jogo tem uma mecânica dominante explicada literalmente no primeiro minuto e você usa apenas ela até o final do jogo.
Nesse caso, escalada. Você controla cada posição de mãos e pés de uma escaladora num processo que exige paciência e bastante emoção. Existem questões paralelas, como manejar saúde, temperatura e hidratação, mas ficam em segundo plano. Se quiser, dá para desligar (não recomendo, mas não julgo).
E, claro, é metáfora. Porque toda história sobre escalar montanha é metáfora. Nesse caso, diferente, por exemplo, de Celeste, é uma história mais triste, do isolamento, de se perder buscando algo e, no processo, alienar todos ao seu redor. Fiquei feliz do jogo se comprometer com essa visão agridoce da obsessão.
Dino Crisis 2
O primeiro Dino Crisis é um jogo que tenta tanto copiar algo (no caso, Resident Evil), que, mesmo com boas ideias, acaba não tendo uma identidade interessante suficiente. E sim, eu sei que o criador do Resident Evil original estava envolvido no projeto.
Reclamei muito quando joguei ano passado, mas parecia consenso entre meus amigos que o 2 era quando a série valia realmente a pena. E, bom, desculpa se duvidei deles.
O jogo é meio que um modo Mercenaries do Resident Evil o tempo todo. É uma jogabilidade arcade bem simples, em cada sala ou área todo dinossauro possível vai para cima de você. Daí o lance é sobreviver, garantir uma segunda extinção e avançar para a próxima. Na passagem entre cada área, o jogo informa quantos pontos você ganhou para usar comprando mais armas e munição.
Realmente é tão simples quanto parece. Mas as armas têm uma sensação tão gostosa, os inimigos vindo de todo lado te obrigam a ficar sempre em movimento e sobreviver sem um arranhão para ganhar pontos extras é satisfatório demais.
Definitivamente, a série se redime nesse daqui.
LIVROS
100 anos de solidão
Li no início do mês e não é exagero dizer que continuo rememorando certas passagens praticamente todos os dias. Foi um caso bem agridoce de terminar algo e pensar “eu nunca mais vou consumir algo tão bom quanto isso“. Emoção do momento? Talvez. E espero estar errado. Mas só de me lembrar, a certeza volta.
O livro narra a história de uma família ao longo de diversas gerações. Nomes se repetem e carregam juntos o destino dos antecessores. E, apesar das personalidades distintas, todos ali carregam na alma a chaga da solidão. Uma solidão às vezes vivida com outros.
É profundo em como explora as relações tão típicas da comunidade latino-americana ao mesmo tempo que é inventivo nas suas abstrações da realidade quando cai no realismo mágico.
Se estou parecendo vago, é porque quero que o mínimo seja dito e o máximo seja deixado para se descobrir nas páginas.
O Aleph
Essa coletânea de contos do escritor argentino Jorge Luis Borges trata sobre tudo. Não no sentido de que todos os temas da humanidade estarão presentes lá. Isso nem faz sentido, claro. Ele trata sobre tudo num sentido mais físico. No ponto menos sutil, ele apresenta um objeto que reúne em si tudo aquilo que existe, incluindo ele próprio, gerando um ciclo perpétuo.
Confuso? Se esse tipo de confusão te agrada, esse livro é para você. Temas que parecem uma versão literária da metafísica, sem compromisso nenhum com o rigor acadêmico, são o fio que une os contos. Lá estão casas que se estendem até o infinito, pessoas confrontadas com a essência de quem são, outras que vivem presas num papel e, ao tentar fugir dele, são punidas por isso, tudo está lá.
Talvez o maior mérito seja criar uma coletânea tão criativamente original de histórias, mas de uma maneira tão bem escrita e concisa. Os contos, na maioria, não passam de 20 páginas. Mas, nessas páginas, as histórias se aprofundam em realidades tão maravilhosas quanto infinitas.
É difícil explicar. Mas é uma delícia sentir.






